BIOGRAFIA
baseada em textos de Angela Magalhães e Nadja Fonsêca Peregrino
Ana Regina Nogueira nasceu em Belo Horizonte, Minas Gerais (12/12/1948) e desde muito cedo estabeleceu fortes laços com o mundo visual . Aos 14 anos, fez um curso de arte com o crítico Frederico de Morais e começou a visitar laboratórios fotográficos e a estudar a obra dos grandes fotógrafos, orientada pelo fotógrafo Gil Prates, seu futuro marido.
Em 1972, iniciou sua carreira em Paris após deixar o curso de Psicologia na Universidade Paris VII (Jussieu). No ano seguinte, com uma Nikkormat , viajou três meses pelos EUA e México, e elaborou seu primeiro portfólio. Em seguida, estabeleceu-se em São Paulo e, em 1995, partiu com seu segundo marido, o designer Paulo Crown, para o Rio de Janeiro, cidade que se tornou seu ponto de apoio profissional .
Sua trajetória como fotógrafa é reconhecida no Brasil e no exterior. Tem forte presença no meio fotográfico brasileiro, marcada por documentários de cunho autoral , com temáticas como a classe média e alta brasileira, homossexuais, religiões, medicina popular, pescadores e turistas.
Autodidata, entregou-se, com a mesma força de interesse, a uma linguagem pessoal que reflete, com freqüência, seu universo autobiográfico: 360 °(1972-2002), Stranha strada (1974), Nus (1986), Classe média e al ta brasileira (1973-2002), Olhos n'água (1991), Autobiografia em construção (1999), Totens (2003), entre outros.
Em 1990, por sua participação ativa no movimento fotográfico e curadoria da exposição Imagens Republicanas do Arquivo Nacional (Paço Imperial , Rio de Janeiro, 1989) , foi convidada por Paulo Herckenhoff, diretor do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, para dirigir seu departamento de Fotografia, cargo que não assumiu porque o diretor deixou, pouco depois, o museu.
Participou também de inúmeras publicações e exposições coletivas e individuais, destacando-se as mostras La photographie contemporaine en Amerique Latine (Centre George Pompidou, Paris, França, 1981), Turning the map: images from the Americas (Camerawork Gallery, Londres, Inglaterra, 1992) Canto a la realidade (Casa de América, Madrid, Espanha,1993) e La Utopia Amorosa (Centro Cultural Borges, Buenos Aires, Argentina, 1996).
A artista viveu e fotografou em grandes metrópoles – Belo Horizonte, Rio de Janeiro, Paris, São Paulo, Londres, Milão e Nova Iorque – e também em pequenas comunidades: “Sempre gostei de fotografar gente e movimento. Mudei muito. Morei em grandes cidades, mas a natureza me atraía. Assim, vivi em vilas de pescadores na Grécia e em Barra de São João, no Rio de Janeiro. Em 1994, mudei por quatro anos com meus filhos para uma fazenda, em Lavras, onde acabei construindo uma casa. Fiz o retorno, após trinta anos, às origens mineiras e reencontrei meu eu profundo, harmonia e paz.”.
Após seu retorno a Minas Ana Regina afastou-se da fotografia voltando-se exclusivamente para trabalhos voluntários de ajuda ao próximo. Em 1999, um novo ciclo se abriu. A fotografia retornou e as Nikons saíram de seu repouso. Construiu um laboratório em preto e branco e em março de 2000 apresentou um de seus trabalhos no importante Festival Internacional de Fotografia, Fotofest, em Houston, USA. Em junho deste ano realizou, no Rio de Janeiro, com o Grupo de Teatro Ação Criativa, um trabalho interdisciplinar foto-teatro-video.
Durante todo o ano de 2002, realizou ampla documentação fotográfica, Funil, que abarca os patrimônios natural, edificado e cultural, desaparecidos ou atingidos pela construção da Hidrelétrica Funil, ao sudeste de Minas Gerais. É a primeira vez, no estado, que se faz uma pesquisa de t al extensão e abrangência sobre o tema. Foram criadas 11 000 imagens em cor e preto e branco da natureza, da vida das comunidades direta ou indiretamente atingidas e da formação da represa. Esse trabalho perpetuou, pela imagem, uma paisagem perdida e ampliou o foco documental da fotógrafa.
Em 2003, realizou a individual Biografias em construção, no Centro Cultural dos Correios, no Rio de Janeiro, durante o festival de fotografia FotoRio. Fez seu site www.anareginanogueira.com.br . Representou a fotografia brasileira na Revista Extra Câmara, editada na Venezuela e fez parte do livro bilíngüe Visões e Alumbramentos, fotografia contemporânea Brasileira na Coleção Joaquim Paiva , lançado pela Brasil Connects, cultura e ecologia .
Em 2004, fez a capa do livro A regeneração do solo e terminou seu livro de poesia Aromas de Fogo. Participou, com fotografias e entrevista falada, do site http://www.hillerphoto.com/brazil/ do fotógrafo americano Geoffrey Hiller, com quem fotografou o carnaval nas cidades históricas mineiras. Finaliza um CD, três exposições permanentes para os centros culturais das comunidades atingidas e o relatório final relativo ao Funil . Inicia uma documentação para o Projeto Maria de Barro, de recuperação de voçorocas em Nazareno. Participou do leilão de fotografias FotoRio.
Fotografa a vida cultural e a natureza do sul de Minas e do Vale das Vertentes e vende fotografias do seu acervo particular a colecionadores de arte. Além de fotografar, dá palestras sobre seu trabalho e dedica-se a atividades voluntárias (fotografia de plantios de trigo, bananas, girassóis, cítricos). Sempre revelou, ampliou e editou tanto suas as criações analógicas, quanto as digitais.
ACERVOS E COLEÇÕES PARTICULARES
White Martins do Museu de Arte Moderna / MAM do Rio de Janeiro, Coleção nº 2 Pirelli / MASP de Fotografia do Museu de Arte de São Paulo, Museu de Fotografia de Curitiba, Centro Cultural Banco Itaú de São Paulo, Lily Sverner, Joaquim Paiva, Denise Gontijo